UNEMAT · Campus Tangará da Serra — MT

Administração Financeira
e Orçamentária

Prof. André Ximenes de Melo · Curso de Administração · 5º Semestre
Departamento de Ciências Econômicas e Administrativas · UNEMAT

72 horas-aula Graduação 9 Aulas Detalhadas 2026 · 1º Semestre Tangará da Serra · MT Roteiros CHA Completos
9
Aulas com Roteiro Completo
3
Pilares CHA por Aula
72h
Carga Horária Total
7,0
Nota de Aprovação
Apresentação

Sobre a Disciplina

A disciplina de Administração Financeira e Orçamentária tem como propósito central desenvolver no aluno a capacidade de compreender, planejar e controlar os recursos financeiros de organizações públicas e privadas. Fundamentada nos pilares do valor do dinheiro no tempo, da gestão do risco e do orçamento empresarial, a disciplina integra teoria e prática para preparar o futuro administrador às demandas do mercado.

Este plano de ensino está estruturado em roteiros CHA detalhados (Conhecimento, Habilidade e Atitude) para cada aula, com base teórica aprofundada, dinâmicas práticas, exemplos reais e propostas pedagógicas que conectam finanças corporativas ao contexto brasileiro e mato-grossense.

Estrutura Curricular

Unidades Temáticas

01

Fundamentos e Análise

Papel da AF, demonstrações financeiras, análise vertical/horizontal, indicadores econômico-financeiros

02

Capital de Giro e Gestão

NCG, ciclo financeiro, gestão de caixa, estoques, recebíveis e fontes de financiamento de CP

03

Matemática Financeira

Sistemas de amortização SAC e Price, juros compostos, custo efetivo do capital

04

Custo de Capital e WACC

Custo do capital próprio e de terceiros, CAPM, WACC e estrutura ótima de capital

05

Análise de Investimentos

VPL, TIR, payback, ponto de equilíbrio e orçamento de capital

06

Controle e Orçamento

Orçamento empresarial, BSC financeiro, KPIs e relatórios gerenciais

Unidade 1 · Aulas 1–4

Fundamentos e Análise Financeira

Estabelece os alicerces teóricos e analíticos da disciplina. O aluno compreende o papel estratégico do gestor financeiro, aprende a ler demonstrações contábeis com ceticismo técnico e desenvolve a capacidade de diagnosticar a saúde financeira de uma empresa por meio de índices e técnicas de análise comparativa.

A1

O Papel da Administração Financeira nas Organizações

27/02/2026 · 2 horas-aula
Objetivo Central da Aula Compreender a essência das finanças corporativas, o papel estratégico do gestor financeiro e a distinção fundamental entre o que é lucro no papel e o que é dinheiro no caixa.
Conhecimento
A. Lucro vs. Geração de Valor
  • A decisão primordial: investir para gerar riqueza pelo ativo
  • Lucro contábil não é sinônimo de valor criado
  • Riqueza gerada de duas formas: valorização das ações e dividendos
B. Funções do Gestor Financeiro
  • Controladoria: contabilidade de custos, impostos e sistemas de informação
  • Tesouraria: administração de caixa, crédito, planejamento financeiro e CAPEX
  • Equilíbrio financeiro: coordenar compras, estocagem e vendas
C. Três Grandes Decisões Financeiras
  • Investimento (CAPEX): alocar capital onde o VPL dos fluxos excede o custo
  • Financiamento: definir combinação ideal entre capital próprio e de terceiros
  • Dividendos e Capital de Giro: distribuição do lucro e gestão do curto prazo
Habilidade
A. Diferenciar Lucro Contábil de Geração de Caixa
  • Regime de competência: venda a prazo gera "lucro" imediato, mas não caixa
  • Contas a receber "prendem" recursos até o cliente pagar
  • Aumento do saldo bancário ≠ operação saudável (pode ser empréstimo)
  • Analisar fluxo de caixa para confirmar sustentabilidade da operação
B. Identificar Decisões Financeiras (Caso Real)
  • Investimento: compra do maquinário para nova linha de montagem
  • Financiamento: empréstimo bancário vs. capital dos sócios
  • Capital de Giro: gastar hoje, vender a crédito, receber em 66 dias
  • Dinâmica: caso da empresa Real Time Computer Corporation (RTC)
Atitude
A. Mentalidade Orientada a Valor
  • Estratégias empresariais e financeiras caminham juntas
  • Todas as áreas (marketing, produção) têm custo de capital
  • Foco: criar processos que agreguem valor real
B. Responsabilidade das Decisões
  • Decisões ruins de investimento levam à iliquidez e falência
  • Avaliar magnitude, distribuição temporal e risco dos fluxos futuros
  • Retorno exigido proporcional ao risco assumido pelos acionistas
  • Finanças permeiam toda a vida profissional — não apenas a área financeira
Metodologia: Aula expositiva dialogada + discussão de casos reais de decisões financeiras de empresas listadas na B3. Apresentar o caso RTC: onde está o investimento, o financiamento e a geração de caixa?
A2

Demonstrações Financeiras: Leitura e Interpretação

06/03/2026 · 2 horas-aula
Objetivo Central da Aula Apresentar as principais demonstrações contábeis e financeiras, capacitando o aluno a ler e interpretar a estrutura patrimonial e, acima de tudo, desenvolver um senso crítico e investigativo sobre a saúde real do negócio por trás dos números.
Conhecimento
A. Balanço Patrimonial — "A Fotografia"
  • Evidencia o patrimônio em um dado momento (Lei 6.404/76)
  • Ativo: bens e direitos em ordem decrescente de liquidez
  • Passivo + PL: obrigações com terceiros e capital dos sócios
  • Ativo Circulante, Realizável LP, Imobilizado
  • Passivo Circulante, Exigível LP, Patrimônio Líquido
B. DRE — "O Filme da Operação"
  • Evidencia Lucro ou Prejuízo em um período (geralmente 1 ano)
  • Estrutura dedutiva: Receita Bruta → Líquida → Bruta → Operacional → Líquida
  • Subtrai CMV, despesas operacionais, financeiras e IR
C. Fluxo de Caixa — "A Realidade do Dinheiro"
  • Registra apenas entradas e saídas efetivas de dinheiro
  • Ignora o regime de competência da DRE
  • Diferença vital: lucro ≠ caixa disponível
Habilidade
A. Leitura e Interpretação das Demonstrações
  • Análise Vertical no Balanço: cada conta ÷ Ativo Total
  • Análise Vertical na DRE: cada item ÷ Receita Líquida
  • Ex.: "69% dos recursos próprios estão imobilizados"
  • Análise Horizontal: evolução e tendências ao longo dos anos
B. Identificar Estrutura Patrimonial
  • Participação de Capitais de Terceiros: Exigível ÷ Recursos Totais
  • Composição do Endividamento: Passivo Circulante ÷ Exigível Total
  • Grau de dependência de dívidas de curto vs. longo prazo
Atitude
A. Ceticismo Técnico — "O Caixa Alto Ilusório"
  • Saldo bancário dobrou — mas o dinheiro veio de empréstimo?
  • Exigir análise do fluxo de caixa operacional puro
  • Nunca comemorar número sem investigar a origem
B. Postura Crítica — "O Índice Enganoso"
  • Liquidez Geral de 1,32 parece ótimo — mas mistura CP e LP
  • Liquidez Seca pode revelar 0,89 — empresa não cobre dívida imediata
  • Nunca aceitar um índice sem questionar o que está por trás
Metodologia: Análise de demonstrações financeiras reais de empresa brasileira de capital aberto (ex.: Embraer, Petrobras, WEG). Identificar estrutura do BP, montar DRE simplificada e questionar: o caixa alto é operacional ou fruto de empréstimo?
A3

Análise Vertical e Horizontal das Demonstrações Financeiras

13/03/2026 · 2 horas-aula
Objetivo Central da Aula Capacitar o aluno a extrair o real significado por trás das demonstrações financeiras através do cálculo de proporções e da observação do crescimento ao longo do tempo, desenvolvendo uma visão sistêmica da saúde da empresa.
Conhecimento
A. Análise Vertical — Estrutura
  • Avalia a participação percentual de cada conta no total
  • Balanço: cada conta ÷ Ativo Total (ou Passivo Total)
  • DRE: cada item ÷ Receita Líquida (base = 100%)
  • Permite dizer "42% das vendas viram lucro bruto"
B. Análise Horizontal — Evolução
  • Evidencia a evolução de cada item ao longo dos exercícios
  • Ano mais antigo = índice-base 100
  • Calcula crescimento percentual dos exercícios seguintes
  • Revela se despesas crescem mais rápido que receitas
C. Combinação das Técnicas
  • Pequeno aumento % na Vertical pode ser crescimento 61%–109% na Horizontal
  • Aumento de 47,3% para 50,6% (vertical) = crescimento de 19% (horizontal)
  • Utilidade aumenta sensivelmente quando usadas em conjunto
Habilidade
A. Análise Comparativa em Planilha (Excel)
  • Vertical: travar célula do Total (F4) e dividir cada subconta
  • Horizontal: dividir o valor atual pelo valor do ano-base
  • Atenção: quando base = zero, o índice não pode ser calculado
  • Transformar resultado em percentagem (0,42 = 42%)
B. Identificar Tendências Financeiras
  • Duplicatas a Receber crescendo rápido: problema na política de crédito?
  • Despesas crescendo acima das receitas na horizontal: alerta!
  • Estoque aumentando sem crescimento proporcional de vendas
Atitude
A. Pensamento Analítico — Distorções
  • Quando base é negativa e exercício seguinte é positivo: resultado enganoso
  • Nesse caso: abandonar o percentual e analisar em valores absolutos
  • Não aceitar cegamente o que a planilha exibe
B. Visão Sistêmica da Evolução
  • A empresa é um organismo vivo: índices contam a história das estratégias
  • Comparar com empresas do mesmo ramo e porte (benchmarking)
  • Classificar como ótimo, bom, satisfatório ou deficiente
  • Apontar a evolução sustentável vs. "inflação artificial de balanços"
Dinâmica Proposta — Encerramento da Aula Em duplas, os alunos recebem BP e DRE de 3 anos consecutivos de empresa fictícia. No Excel: calcular Análise Vertical (proporções) e Horizontal (crescimento). Entregar breve parecer apontando a principal tendência positiva e a principal ameaça financeira identificada nos números.
Metodologia: Prática em planilha eletrônica — cálculo e análise comparativa de índices de duas empresas concorrentes. Aplicar ambas as técnicas simultaneamente para revelar como um crescimento pequeno na vertical pode esconder um salto robusto na horizontal.
A4

Indicadores Econômico-Financeiros: Liquidez, Rentabilidade e Endividamento

20/03/2026 · 2 horas-aula
Objetivo Central da Aula Capacitar o aluno a extrair, calcular e interpretar os principais indicadores contábeis, relacionando-os de forma sistêmica para diagnosticar a real situação da empresa — sempre com postura crítica que evite conclusões isoladas ou precipitadas.
Conhecimento
A. Índices de Liquidez
  • LC = Ativo Circ. / Passivo Circ. — melhor indicador de CP
  • LS = (AC - Estoques - Desp. Exerc. Seg.) / PC — sem estoque
  • LI = Disponível / PC — dinheiro imediato no caixa
  • LG = (AC + ARLP) / (PC + ELP) — capacidade de LP
B. Índices de Endividamento
  • PCT = Exigível Total / (ET + PL) — dependência de terceiros
  • CE = Passivo Circ. / Exigível Total — dívida no CP vs. LP
  • Quanto menor, melhor a estrutura de capital
C. Margens e Rentabilidade
  • MB = Lucro Bruto / Receita Líquida
  • ML = Lucro Líquido / Receita Líquida
  • RCP (ROE) = Lucro Líquido / Saldo Médio do PL
Habilidade
A. Calcular e Interpretar Indicadores
  • Transitar entre absolutos e percentuais (0,42 = 42%)
  • Entender nuances: índices de liquidez pressupõem continuidade operacional
  • Ativos circulantes precisam ser repostos para a operação não parar
B. Relacionar Indicadores Entre Si
  • LC ótima (1,62) + LS ruim (0,89) = dependente de vender estoque
  • LG boa ≠ LI ruim: se a empresa falir amanhã, o LP não vale nada
  • Cruzar rentabilidade com liquidez: risco x retorno
Atitude
A. Responsabilidade na Interpretação
  • Índices tradicionais não garantem capacidade real de pagamento
  • Nunca emitir parecer baseado em apenas um ano isolado
  • Nunca concluir sem comparar com exercícios anteriores
B. Capacidade de Diagnóstico Sistêmico
  • Comparar obrigatoriamente com índices setoriais e de concorrentes
  • Classificar: ótimo / bom / satisfatório / deficiente
  • Visão do todo: um índice isolado não conta toda a história
Fórmulas-Chave: LC = AC/PC · LS = (AC - Estoques)/PC · LG = (AC + ARLP)/(PC + ELP) · PCT = ET/(ET+PL) · ROE = LL/PL Médio
Dinâmica Proposta — Encerramento da Aula Balanços de duas empresas concorrentes. Calcular Liquidez Seca e RCP de ambas e defender: qual está mais saudável no curto prazo? Qual remunera melhor os sócios? Exercitar a conexão entre risco de iliquidez e prêmio de rentabilidade.
Metodologia: Prática em planilha — cálculo e diagnóstico comparativo dos principais índices. Entregar aos alunos um balanço real e pedir parecer técnico com recomendações de melhoria.
Unidade 2 · Aulas 5–8

Capital de Giro, Caixa e Financiamento

Aborda a gestão do capital circulante — onde o dinheiro "fica preso" e como otimizá-lo. O aluno compreende o ciclo financeiro, aprende a projetar o fluxo de caixa, gerir estoques e recebíveis com eficiência e avaliar o custo real das fontes de financiamento de curto prazo.

A5

Capital de Giro e Necessidade de Capital de Giro (NCG)

27/03/2026 · 2 horas-aula
Objetivo Central da Aula Compreender a dinâmica do capital circulante, calcular o ciclo financeiro e a NCG, e desenvolver visão preventiva para antecipar crises de caixa antes que elas comprometam a operação.
Conhecimento
A. Ciclo Operacional
  • Capital "gira": Caixa → Estoque → Fabricação → Duplicata → Caixa
  • A empresa deve recuperar todos os custos E obter lucro nesse giro
  • Cada fase do ciclo "prende" recursos por um tempo
B. Ciclo Financeiro (Ciclo de Caixa)
  • Tempo entre o pagamento dos recursos e o recebimento das vendas
  • PCE: Prazo de Conversão do Estoque
  • PMR: Prazo Médio de Recebimento dos clientes
  • PMP: Prazo Médio de Pagamento a fornecedores
Ciclo Financeiro = PCE + PMR − PMP
C. Necessidade de Capital de Giro (NCG)
  • Volume financeiro para sustentar as operações durante o Ciclo Financeiro
  • Ciclo mais longo = maior financiamento externo = mais juros = menos lucro
  • Modelo de Fleuriet: overtrading e efeito tesoura
Habilidade
A. Calcular a NCG
  • Empresa gasta R$ 600 mil/dia · Ciclo = 66 dias → NCG = R$ 39,6 M
  • Reduzir 10 dias no ciclo → economia de R$ 6 M em necessidade de capital
  • Transformar "dias" em "dinheiro": multiplicar ciclo pelo custo diário
B. Identificar Gargalos de Liquidez
  • Gargalo no Estoque (PCE): vender mais rápido, reduzir produtos parados
  • Gargalo nos Recebimentos (PMR): acelerar cobrança dos clientes
  • Gargalo nos Pagamentos (PMP): negociar com fornecedores para alargar prazo
  • Calcular CGL, NCG e Saldo de Tesouraria
Atitude
A. Disciplina Financeira
  • Capital em estoques e prazos tem custo financeiro real
  • Não ceder à pressão de produção (estoque alto) nem de vendas (prazo longo)
  • Política de crédito liberal sem controle gera inadimplência e falta de caixa
B. Visão Preventiva
  • Interagir antecipadamente com compras e vendas
  • Atualizar cadastro de clientes: avaliar caráter e capacidade de pagamento
  • Nunca esperar o problema de caixa aparecer para agir
Nota ao Professor: Iniciar desenhando no quadro o Ciclo Operacional em 4 etapas (Caixa → Estoque → Duplicata → Caixa). Ao visualizar o dinheiro "preso" nas duplicatas, a necessidade matemática da NCG se tornará intuitiva.
Metodologia: Estudo de caso — empresa varejista com ciclo financeiro longo. Diagnóstico pelo Modelo Fleuriet e elaboração de plano de ação para redução do ciclo em 10 dias.
A6

Gestão de Caixa: Fluxo Projetado e Orçamento

10/04/2026 · 2 horas-aula
Objetivo Central da Aula Compreender a mecânica do fluxo de caixa e a importância do planejamento diário. Capacitar o aluno a estruturar e projetar fluxos mensais, simulando cenários futuros para desenvolver uma forte aversão à improvisação financeira.
Conhecimento
A. Fluxo de Caixa Projetado
  • Esquema de entradas e saídas efetivas ao longo do tempo
  • Olhar para o futuro — não apenas registrar o passado
  • Visão integrada: estoques, recebíveis e pagamentos afetam o caixa
  • Antecipar decisões: aplicar excedente ou captar empréstimos
B. Orçamento de Caixa
  • Finalidade: manter saldo adequado às atividades com forte incerteza
  • Recursos monetários puros não rendem → saldo mínimo possível
  • Necessidade de caixa: transações, amortizações, investimentos e imprevistos
  • Dois formatos: coluna dupla (entradas/saídas) ou coluna única (líquido)
Habilidade
A. Elaborar Fluxo de Caixa Mensal
  • Estruturar planilha com entradas e saídas mês a mês
  • Visualizar o nível real de geração de caixa operacional
  • Identificar meses de déficit vs. excedente
B. Simular Cenários
  • Cenário de Fartura: aplicar fundos ociosos em CDB, RDB, títulos públicos
  • Cenário de Escassez: simular custo de empréstimos para cobrir déficit
  • Taxas de juros flutuam → simular diferentes taxas futuras
  • Conhecer o limite máximo de captação da empresa
Atitude
A. Cultura de Planejamento
  • Tesoureiro não é "pagador de contas" — é planejador estratégico
  • Interagir preventivamente com compras e vendas antes dos fluxos ocorrerem
  • Decisões que geram caixa foram tomadas no passado por outras áreas
B. Aversão à Improvisação Financeira
  • Falta de orçamentação pode levar a empresa à iliquidez
  • Exceder o limite de obtenção de recursos = colapso financeiro
  • Saldo bancário alto ≠ operação saudável (pode ser empréstimo)
  • Norte do gestor: sempre o fluxo de caixa projetado
Dinâmica Proposta — Encerramento da Aula Série desorganizada de recebimentos futuros e pagamentos a fornecedores. Construir fluxo de caixa (coluna única) para os próximos 6 meses. Depois: introduzir "evento não previsto" — inadimplência de 30% no mês 3. Forçar nova simulação: cortar gastos ou captar empréstimo?
Metodologia: Elaboração de planilha de fluxo de caixa projetado de empresa do agronegócio mato-grossense com sazonalidade. Demonstrar dois cenários: safra (excedente) e entressafra (déficit).
A7

Gestão de Estoques e Recebíveis: Prazos Médios e Impacto no Capital de Giro

17/04/2026 · 2 horas-aula
Objetivo Central da Aula Compreender a dinâmica operacional que prende o dinheiro em produtos e nas mãos dos clientes. Capacitar o aluno a calcular a velocidade de giro do capital e desenvolver mentalidade de eficiência — ineficiência tem custo financeiro altíssimo.
Conhecimento
A. Giro de Estoques (PME)
  • Interesses conflitantes: compras (desconto), produção (segurança), vendas (disponibilidade)
  • Giro de Estoques: quantas vezes o estoque foi renovado no ano
  • PME (dias): tempo médio que o produto fica "parado" nas prateleiras
  • Empresa procura aumentar o giro → mais vendas → mais lucro
B. Prazo Médio de Recebimento (PMR)
  • Contas a receber: alavancam vendas, mas geram risco de inadimplência
  • Política liberal vende mais, mas exige mais investimento em recebíveis
  • Os 5 "Cs" do Crédito: Caráter (mais importante!), Capacidade, Capital, Collateral, Condições
  • PMR: dias médios para transformar vendas a prazo em caixa
C. Prazo Médio de Pagamento (PMPF)
  • Tempo médio para pagar fornecedores
  • Compras a prazo: fonte de financiamento não oneroso do capital de giro
  • Negociar prazo mais longo com fornecedores reduz a NCG
Habilidade
A. Calcular os Prazos Médios (365 dias)
  • PME = (Saldo Médio Estoques / CPV) × 365
  • PMR = (Saldo Médio C. Receber / Rec. Bruta) × 365
  • PMP = (Saldo Médio Fornecedores / Compras Brutas) × 365
  • Ex.: Giro de recebíveis 5,36×/ano = PMR de 68 dias (365/5,36)
B. Avaliar o Impacto no Capital de Giro
  • R$ 600k/dia × 66 dias de ciclo = R$ 39,6 M de NCG
  • Reduzir para 56 dias → economizar R$ 6 M em necessidade de capital
  • Ampliar prazo de crédito de 1 para 3 meses: investimento em recebíveis salta de R$ 1 M para R$ 4,67 M
  • Inadimplência sobe de 2,5% para 3% → achar o ponto ótimo de rentabilidade
Atitude
A. Mentalidade de Eficiência Operacional
  • Gestor como "pacificador" das áreas conflitantes (compras, produção, vendas)
  • Mostrar que estoque alto destrói resultado econômico
  • Manter estoques no mínimo sem prejudicar operação
B. Custo da Ineficiência
  • Vendas a prazo sem cuidado = "valor não recebível" (calote)
  • Regra de ouro: ineficiência custa juros
  • Cada dia a mais de estoque parado = um dia a mais de empréstimo bancário pago
  • Não ser "o chato que diz não" — ter a visão técnica do custo real
Fórmulas-Chave: PME = (Est. Médio / CPV) × 365 · PMR = (CR Médio / Rec. Bruta) × 365 · PMP = (Forn. Médio / Compras) × 365 · Ciclo Fin. = PME + PMR − PMP
Dinâmica Proposta — Encerramento da Aula Alunos assumem o papel de Diretor Financeiro: Gerente de Vendas quer PMR = 90 dias. Gerente de Compras comprou estoque para 120 dias (PME) para ganhar desconto. Calcular o impacto conjunto na NCG e propor solução negociada entre as áreas.
Metodologia: Comparativo prático de políticas de crédito — manter prazo vs. ampliar prazo. Calcular variação da NCG e da inadimplência estimada. Decidir qual política maximiza o resultado líquido da empresa.
A8

Fontes de Financiamento de Curto Prazo e Custo Efetivo do Capital

24/04/2026 · 2 horas-aula
Objetivo Central da Aula Compreender as diferentes fontes de recursos operacionais, o impacto estratégico da escolha entre capital próprio e de terceiros, e capacitar o aluno a calcular o verdadeiro custo efetivo dos financiamentos — promovendo prudência contra o superendividamento.
Conhecimento
A. Fontes de Capital de Giro
  • Fontes Não Onerosas: salários a pagar, encargos, impostos — sem juros explícitos
  • Fontes Onerosas: empréstimos bancários, financiamentos, factoring, desconto de duplicatas
  • Duplicatas a pagar a fornecedores podem ter juros implícitos (perda do desconto à vista)
B. Capital Próprio vs. Capital de Terceiros
  • Capital Próprio (PL): ações, quotas e lucros retidos
  • Capital de Terceiros: obrigações (PC + ELP)
  • Custo dos lucros retidos = retorno mínimo exigido pelo acionista
  • Juros são despesas dedutíveis: geram benefício fiscal → barateia capital de terceiros
C. Custo Efetivo do Capital
  • Taxa nominal ≠ custo real
  • Custo após IR: juros são dedutíveis da base de cálculo
  • Custo efetivo considera: deságio, comissões, IOF, seguros e taxas fixas
  • Ex.: taxa nominal 16% a.a. → custo efetivo 22,33% a.a. (após descontos na contratação)
Habilidade
A. Comparar Alternativas de Financiamento
  • Fornecedor: R$ 10.000 à vista ou R$ 10.400 a 30 dias = 4% a.m. implícito
  • Se banco oferece menos de 4% a.m. → tomar crédito e comprar à vista
  • Se banco é mais caro → aceitar parcelamento do fornecedor
  • Sempre comparar pelo custo efetivo, nunca pela taxa de balcão
B. Calcular o Custo Efetivo (TIR do Empréstimo)
  • Montar o fluxo de caixa real da operação de crédito
  • Incluir: deságio, comissões bancárias, IR na fonte, despesas legais
  • Calcular a TIR do fluxo para descobrir o custo real
  • Debêntures com taxa 16% a.a. + deságio 3,5% + comissão 5% = custo real 22,33%
Atitude
A. Prudência Financeira
  • Conhecer antecipadamente o limite máximo de captação da empresa
  • Jamais exceder o limite de obtenção de caixa
  • Atividades sempre dentro da capacidade de geração e captação
B. Consciência do Risco de Endividamento
  • Alavancagem Financeira: pode multiplicar lucros OU destruir a empresa
  • Saudável apenas quando retorno sobre ativo > custo da dívida
  • Monitorar o Grau de Alavancagem Financeira (GAF)
  • GAF menor que 1 = alavancagem desfavorável → descapitalização rápida
Dinâmica Proposta — Encerramento da Aula Proposta de empréstimo bancário com taxa "atrativa" de 2% a.m., mas com TAC pesada e seguros embutidos retidos na liberação. Calcular entradas e saídas reais do fluxo de caixa e encontrar a TIR verdadeira da operação. Provar que o crédito é muito mais oneroso do que a propaganda do banco sugere.
Metodologia: Análise comparativa de alternativas de financiamento: fornecedor, banco e factoring. Calcular custo efetivo de cada opção pelo fluxo de caixa e TIR. Decidir a melhor fonte para cada perfil de empresa.
Unidade 3 · Aula 9

Matemática Financeira: Sistemas de Amortização

Fundamenta a tomada de decisão sobre financiamentos de médio e longo prazo. O aluno aprende a estruturar tabelas de amortização SAC e Price, calcular o custo efetivo real das dívidas e desenvolver postura transparente e analítica frente a contratos financeiros.

A9

Sistemas de Amortização SAC e Price — Juros Compostos e Custo Efetivo

08/05/2026 · 2 horas-aula
Objetivo Central da Aula Compreender a matemática dos juros compostos aplicada a empréstimos, estruturar tabelas de amortização SAC e Price, comparar o custo efetivo das dívidas e desenvolver postura transparente e analítica frente a contratos financeiros.
Conhecimento
A. Juros Compostos e Valor do Dinheiro no Tempo
  • Fator de juros aplicado sobre saldos ao longo do tempo
  • Empresa recebe capital hoje (entrada) e devolve com juros (saída futura)
  • Base para todos os financiamentos de médio e longo prazo
B. Estrutura dos Sistemas de Amortização
  • Cada parcela = Amortização (abate a dívida) + Juros (custo do dinheiro)
Sistema Price (Série Uniforme Equivalente — SUE)
  • Prestações fixas e iguais do início ao fim do contrato
  • Ex.: empréstimo de R$ 60.000 a 15% em 4 parcelas = R$ 21.015,92/parcela
  • No início: muito juro, pouca amortização
  • No final: pouco juro, muita amortização — parcela total nunca muda
Sistema SAC (Amortização Constante)
  • Amortização fixa em todas as parcelas (ex.: R$ 1.000/mês)
  • Saldo devedor cai de forma constante → juros também caem
  • Resultado: prestações decrescentes (primeira é a mais cara)
  • Custo total menor que o Price no longo prazo
Habilidade
A. Montar Tabelas de Amortização (HP12C e Excel)
  • Price: usar HP12C → inserir PV, i, n → calcular PMT
  • A partir do PMT: deduzir juros de cada período para achar amortização
  • SAC: amortização = PV ÷ n (fixa). Juros = saldo devedor × i
  • Montar tabela completa período a período
B. Calcular o Custo Efetivo (TIR do Financiamento)
  • Taxa nominal 16% a.a. ≠ custo real
  • Incluir no fluxo: IR na fonte (15%), deságio, comissões (2% a.a.), despesas fixas
  • Calcular a TIR do fluxo real → descobrir o custo efetivo verdadeiro
  • Resultado: taxa nominal 16% → custo efetivo 22,33% a.a.
  • Comparar SAC e Price pelo custo efetivo real de cada alternativa
Atitude
A. Atenção aos Detalhes Financeiros
  • Nunca aceitar a "prestação que cabe no bolso" sem analisar o fluxo completo
  • Exigir o Custo Efetivo Total (CET) da operação
  • Investidores e bancos cobram pelo risco: o custo real é sempre maior que o anunciado
B. Transparência na Análise de Contratos
  • Escolha entre SAC e Price deve ser alinhada ao orçamento de caixa da empresa
  • SAC exige maior saída no CP → pode comprometer o capital de giro
  • Price alivia o caixa imediato, mas acumula mais juros no total
  • Escolha irresponsável pelo SAC com caixa apertado → iliquidez → novo empréstimo a taxas abusivas
Desafio Inicial: Calcular no papel o total de juros de um empréstimo de R$ 60.000 a 15% em 4 meses no SAC (amortização de R$ 15.000/mês) e comparar com a Série Uniforme Equivalente (Price) de R$ 21.015,92. Visualizar como o formato da tabela altera a velocidade de pagamento.
Armadilha Comum: Taxa de balcão anunciada = 2% a.m. — parece ótima! Mas com TAC + seguros + IOF + taxas fixas retidas na liberação, o custo efetivo pode passar de 4,5% a.m. Sempre calcular a TIR do fluxo real antes de assinar.
Dinâmica Proposta — Encerramento da Aula Proposta de financiamento com taxa nominal atrativa + encargos ocultos. Montar o fluxo de caixa real, calcular a TIR e decidir: aceitar este crédito ou buscar outra fonte? Comparar as tabelas SAC e Price para o mesmo empréstimo e apresentar para a "diretoria" (outros grupos) qual sistema recomendam e por quê.
Metodologia: Construção de tabelas SAC e Price no Excel com dados reais. Cálculo do custo efetivo via TIR. Apresentação gráfica da evolução do saldo devedor nos dois sistemas para evidenciar as diferenças de fluxo de caixa.
Planejamento Semestral

Cronograma de Aulas — 1º Semestre 2026

As datas são indicativas e podem sofrer ajustes conforme calendário acadêmico da UNEMAT.

Aula Data Tema Unidade Tipo
A127/02O Papel da Administração FinanceiraU1Teórica
A206/03Demonstrações Financeiras: BP, DRE e DFCU1Teórica + Prática
A313/03Análise Vertical e HorizontalU1Prática (Excel)
A420/03Indicadores Econômico-FinanceirosU1Teórica + Prática
A527/03Capital de Giro e NCGU2Teórica + Dinâmica
A610/04Gestão de Caixa: Fluxo Projetado e OrçamentoU2Prática (Excel)
A717/04Gestão de Estoques e RecebíveisU2Prática + Dinâmica
A824/04Fontes de Financiamento de Curto PrazoU2Teórica + TIR
01/05Feriado — Dia do Trabalho
A908/05Sistemas de Amortização SAC e PriceU3Prática (HP12C + Excel)
A1015/05Custo de Capital e WACCU3Teórica + Cálculo
A1122/05Análise Custo-Volume-Lucro e Ponto de EquilíbrioU4Prática
A1229/05VPL, TIR e Critérios de AvaliaçãoU5Teórica + Cálculo
A1305/06Orçamento Empresarial: Tipos e ElaboraçãoU5Prática (Planilha)
A1412/06KPIs, EVA e Relatórios GerenciaisU6Teórica + Dashboard
A1519/06Seminário Final — Análise Integrada de EmpresaU6Seminário
26/06Avaliação Final (AF)
Sistema de Avaliação

Critérios de Avaliação

Avaliação contínua e somativa, combinando provas individuais, trabalhos em grupo e participação ativa. Aprovação com nota ≥ 7,0 e frequência ≥ 75%.

40%

Provas Individuais (P1 + P2)

P1: conteúdo das Unidades 1 e 2. P2: Unidades 3 a 6. Questões dissertativas e cálculos financeiros.

35%

Trabalho em Grupo

Análise financeira completa de empresa real: demonstrações, ciclo financeiro, orçamento projetado e relatório gerencial final.

25%

Atividades e Participação

Exercícios, dinâmicas em sala, planilhas entregues e qualidade de participação nos debates e seminários.

Critérios de Aprovação

Regras de Aprovação

  • Aprovação Direta: Nota Final ≥ 7,0 e Frequência ≥ 75%
  • Exame Final: Nota entre 5,0 e 6,9. Média (NF + EF)/2 ≥ 5,0 para aprovação
  • Reprovação: Nota Final < 5,0 ou Frequência < 75%
Abordagem Pedagógica

Metodologia de Ensino

Abordagem ativa de aprendizagem CHA, combinando exposição teórica fundamentada com resolução de problemas reais, planilhas eletrônicas, calculadora financeira e estudos de caso do contexto empresarial brasileiro e mato-grossense.

Aula Expositiva Dialogada

Apresentação dos fundamentos teóricos com estímulo constante à participação. Perguntas socrático-dialéticas para construção coletiva dos conceitos financeiros.

Práticas em Planilha + HP12C

Excel e calculadora financeira HP12C para análise de demonstrações, fluxo de caixa, tabelas de amortização, VPL/TIR e orçamento empresarial.

Estudos de Caso Reais

Empresas brasileiras reais (B3, relatórios anuais) e casos do agronegócio mato-grossense, aplicando cada conceito ao contexto regional.

Dinâmicas e Role-Playing

Alunos assumem papéis de Diretores Financeiros, Tesoureiros e analistas para tomar decisões reais sob pressão, como a negociação entre áreas conflitantes (compras, vendas, produção).

Problem-Based Learning (PBL)

Problemas financeiros reais sem resposta única: o aluno deve diagnosticar, calcular e propor solução fundamentada, desenvolvendo autonomia intelectual.

Seminários Finais

Apresentações orais de análise financeira integrada para "banca avaliadora" — professor e colegas. Desenvolvimento de comunicação financeira para não-financeiros.

Bibliografia

Referências Bibliográficas

  • Básica
    GITMAN, Lawrence J. Princípios de Administração Financeira. 12. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010.
  • Básica
    ROSS, Stephen A.; WESTERFIELD, R. W.; JORDAN, B. D. Princípios de Administração Financeira. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2013.
  • Básica
    HOJI, Masakazu. Administração Financeira e Orçamentária. 12. ed. São Paulo: Atlas, 2017.
  • Básica
    ASSAF NETO, Alexandre. Finanças Corporativas e Valor. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2014.
  • Complementar
    FLEURIET, Michel; KEHDY, Ricardo; BLANC, Georges. A Dinâmica Financeira das Empresas Brasileiras. 3. ed. Rio de Janeiro: Campus, 2003.
  • Complementar
    MARTINS, Eliseu. Contabilidade de Custos. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
  • Complementar
    DAMODARAN, Aswath. Finanças Corporativas: Teoria e Prática. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2004.
  • Complementar
    KAPLAN, Robert S.; NORTON, David P. A Estratégia em Ação: Balanced Scorecard. Rio de Janeiro: Campus, 1997.