Orçamento Empresarial

UNEMAT · Campus Tangará da Serra — MT · Curso de Administração

Prof. André Ximenes de Melo · Departamento de Ciências Econômicas e Administrativas

Visão Geral da Disciplina

Orçamento Empresarial é a quantificação do planejamento estratégico da empresa. Esta disciplina prepara o aluno para elaborar, interpretar e controlar o sistema orçamentário completo de uma organização industrial, integrando teoria fundamentada na apostila do professor com a prática nas planilhas eletrônicas dos casos reais.

60Horas-aula
15Encontros
5Blocos Temáticos
13Relatórios
7,0Nota de Aprovação

Sobre a Disciplina

A estrutura pedagógica parte do conceito e das premissas orçamentárias, avança pelos treze relatórios na sequência lógica de elaboração — vendas, produção, MOD, CIF, consumo de MP, compras, CUPA, despesas operacionais, CPV, fluxo de caixa, DRE e Balanço Patrimonial — e encerra com a análise dos índices econômico-financeiros projetados.

O fio condutor prático são os dois casos empresariais: Só Massas Ltda. (massa de pastel 500g) e Fino Sabor Ltda. (biscoito sequilhos 100g). Estruturas propositalmente diferentes em número de insumos, departamentos e margens, para que grupos distintos enfrentem desafios distintos com a mesma metodologia.

Estrutura dos 5 Blocos

Bloco I — Fundamentos

Encontros 1–2. Conceitos, premissas, tipos, OBZ e condições de implantação.

Bloco II — Produção e Custos

Encontros 3–7. Vendas, produção, MOD, CIF, consumo de MP e compras.

Bloco III — Custo e Resultado

Encontros 8–9. CUPA, margem de contribuição, despesas operacionais e CPV.

Bloco IV — Demonstrações

Encontros 10–13. Fluxo de caixa, DRE projetada e Balanço Patrimonial.

Bloco V — Controle

Encontros 14–15. Índices econômico-financeiros, análise integrada e apresentação final.

Os 13 Relatórios do Sistema Orçamentário

I. Vendas

Quantidades e valores de vendas projetadas por período.

II. Produção

Unidades a produzir = Vendas + Est. Final − Est. Inicial

III. Consumo de MP

Quantidade consumida = Produção × Qtd por unidade

IV. Compras

Compras = Est. Final + Consumo − Est. Inicial

V. MOD

Mão de obra direta por departamento e período.

VI. CIF

Custos indiretos de fabricação — fixos e variáveis.

VII. CUPA

Custo Unitário do Produto Acabado = MP + MOD + CIF

VIII. Despesas Operacionais

Salários administrativos, fretes, propaganda, etc.

IX. CPV

Custo do Produto Vendido das unidades efetivamente vendidas.

X. Fluxo de Caixa

Entradas e saídas de caixa por período.

XI. DRE Projetada

Demonstração de Resultado do Exercício.

XII. Balanço Patrimonial

Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido projetados.

XIII. Índices Econômico-Financeiros

Rentabilidade, liquidez e endividamento.

Os Casos Práticos

Só Massas Ltda.

Produto: Massa de pastel 500g

Insumos: 6 materiais — farinha, sal, óleo, cachaça, ovo, água

Departamentos: Fabricação e Formatação

Preço de venda: R$ 8,00/unidade

Custo total: R$ 3,77 · Margem: R$ 4,23 (52,9%)

Receita anual projetada: R$ 330.000,00

Fino Sabor Ltda.

Produto: Biscoito sequilhos 100g

Insumos: 3 materiais — amido de milho, margarina, leite condensado

Departamentos: Fabricação, Formatação e Embalagem

Preço de venda: R$ 6,00/unidade

Custo total: R$ 0,44 · Margem: R$ 5,56 (92,7%)

Receita anual projetada: R$ 150.012,00

Meta Universal: 30% de lucro líquido sobre a receita líquida (≈ 2% ao mês composto), equivalente a dobrar o capital investido em aproximadamente 3 anos. A planilha, a apostila e os relatórios são estruturalmente idênticos — o aluno transita entre os três materiais com total fluidez.

Bloco I — Fundamentos e Pré-Orçamento

Encontros 1 e 2 · Base conceitual e metodológica do sistema orçamentário

Encontro 1 — Introdução ao Orçamento Empresarial

Conceito, características, premissas, fases e condições de implantação

Objetivo Central

Compreender o orçamento como quantificação do planejamento estratégico, suas premissas fundamentais, fases do processo e condições necessárias à implantação — estabelecendo o marco conceitual que sustentará toda a disciplina.

📘 Conhecimento

A — O sistema orçamentário

Definição: orçamento como quantificação do planejamento estratégico da empresa. Distinção entre orçamento, previsão e meta. Orçamento parcial vs. orçamento geral. O orçamento como instrumento de accountability — comprometimento dos gestores com resultados.

Apostila pp. 5–8 · Frezatti (2005) · Santos et al. (2008)

B — As oito premissas orçamentárias

Projeção futura, expressão monetária, flexibilidade, comprometimento, completude, oportunidade, uniformidade e controle. Cada premissa com sua definição e implicação prática.

Apostila pp. 8–9 · Santos et al. (2008)

C — Fases do processo orçamentário

Preparação (definição de premissas e metas), elaboração dos orçamentos setoriais, aprovação pela alta administração, execução e controle (comparação orçado vs. realizado). Abordagens top-down, bottom-up e mista.

Apostila pp. 11–14 · Frezatti (2005)

D — Condições de implantação e vantagens

Requisitos: apoio da cúpula, estrutura organizacional adequada, sistema de custos integrado à contabilidade, sistema orçamentário flexível. Vantagens: uso racional dos recursos, coordenação entre setores, previsão de caixa, avaliação de desempenho, credibilidade junto a financiadores.

Apostila pp. 11–19 · Nguyen (1975)

🛠 Habilidade

A — Distinguir orçamento de previsão e de meta

Previsão é estimativa técnica sem compromisso formal. Meta é objetivo declarado pela gestão. Orçamento é a formalização numérica do compromisso de atingir a meta — um contrato interno de desempenho. Saber classificar documentos reais nessas três categorias.

B — Identificar as peças do sistema orçamentário

Mapear a sequência completa: vendas → produção → MOD → CIF → consumo MP → compras → CUPA → despesas operacionais → CPV → caixa → DRE → balanço → índices. Compreender as relações de dependência entre as peças: cada relatório alimenta o seguinte.

C — Diagnosticar condições reais de implantação

A partir de caso real ou fictício, identificar quais condições de implantação estão presentes e quais estão ausentes — e prever as principais falhas que decorrerão dessa ausência (ex.: sem sistema de custos integrado, o CPV será inviável de calcular).

🎯 Atitude

A — O orçamento não é uma planilha

Compreender que o orçamento é um instrumento de gestão e comprometimento organizacional. Planilha é apenas o suporte. O que importa é o processo de planejamento e o compromisso assumido pelos gestores de cada área.

B — Cultura de planejamento como diferencial profissional

Internalizar que organizações que planejam têm maior credibilidade junto a financiadores, tomam melhores decisões e identificam desvios antes que se tornem crises. Administrador que domina o orçamento empresarial entrega resultado — não jeitinhos.

Metodologia · Encontro 1: Aula expositiva dialogada com base na apostila (pp. 5–19). Apresentar o quadro dos 13 relatórios na lousa e perguntar à turma: "qual deles vocês acham que vem primeiro e por quê?" — provocar o debate sobre a sequência lógica antes de revelar a ordem. Encerrar apresentando os dois casos práticos da disciplina: Só Massas Ltda. e Fino Sabor Ltda., mostrando a planilha e a apostila como materiais integrados.
📖 Apostila pp. 5–19 · Capítulo de Introdução

Encontro 2 — Orçamento Base Zero (OBZ) e Tipos de Orçamento

Metodologias orçamentárias, pacotes de decisão e controle orçamentário

Objetivo Central

Compreender as diferentes metodologias orçamentárias — tradicional, descendente, ascendente e base zero — com ênfase no OBZ como instrumento de redução de gastos e qualificação do processo decisório, ilustrado pelo caso real da Companhia de Cervejaria Brahma.

📘 Conhecimento

A — Tipos de orçamento

Descendente (top-down): parte da alta administração, mais ágil, menos participativo. Ascendente (bottom-up): parte da equipe de vendas, mais motivador, risco de subestimação. Misto: combinação das abordagens. Orçamentos parciais vs. gerais.

Apostila pp. 21–30 · Calderelli (1992)

B — O Orçamento Base Zero (OBZ)

Conceito: cada despesa deve ser justificada do zero, independente do orçamento anterior. Foco em despesas fixas e mão de obra. Pacotes de decisão (gastos e capital empregado), Variáveis Base Zero (VBZ) e Níveis Base Zero (NBZ). Projeto "Volta às Origens": análise dos exercícios anteriores para justificar reduções.

Apostila pp. 31–49 · Pyhrr (1981) · Ambev (1998)

C — Controle orçamentário

Comparação entre orçado e realizado. Três tipos de variação: de preço (valor diferente do previsto), de volume (quantidade diferente) e de eficiência (nível de desempenho diferente). Relatórios de desvios por departamento — base para accountability.

Apostila pp. 62–73 · Zdanowicz (1998) · Sanvicente e Santos (2000)

🛠 Habilidade

A — Comparar orçamento tradicional e OBZ

No orçamento tradicional, o ponto de partida é o orçamento do ano anterior. No OBZ, parte-se do zero com justificativa de cada despesa. Identificar situações em que o OBZ é mais indicado: empresas com gastos fixos elevados, redundâncias departamentais, pressão por redução de custos.

B — Analisar o caso Brahma / AmBev

A Brahma reduziu R$ 152 milhões em custos fixos em 1999 através do OBZ, dividindo as despesas em 16 pacotes temáticos. Analisar dois casos específicos: redução nos postos de vigilância (de 15 para 7 com câmeras 360°) e renegociação do contrato de café — identificando os tipos de variação e as decisões de prioridade.

🎯 Atitude

A — Alinhamento à Eficiência

Entender que a redução de custos no OBZ não é um corte cego, mas uma realocação estratégica com foco em gerar o máximo valor operacional para a empresa.

Metodologia · Encontro 2: Apresentação do caso Brahma/AmBev com os dados reais de redução de custos. Debate em grupos: "O que justificaria cada despesa do zero?" Aplicação prática de um mini-OBZ com despesas fictícias de um departamento universitário.
📖 Apostila pp. 21–73

Bloco II — Orçamentos de Produção e Custos

Encontros 3 a 7 · Vendas, produção, MOD, CIF, consumo de matéria-prima e compras

Encontro 3 — Orçamento de Vendas (Relatório I)

Objetivo Central

Elaborar o Relatório I — Orçamento de Vendas — projetando quantidades e receitas por produto e por período, a partir de premissas de mercado, preço unitário e histórico de vendas. Compreender que este é o relatório-raiz de todo o sistema orçamentário.

📘 Conhecimento

A — Estrutura do Orçamento de Vendas

O Relatório I projeta, para cada produto e para cada mês do ano, a quantidade a ser vendida e o valor correspondente (quantidade × preço unitário). A soma das receitas mensais gera o faturamento anual. O orçamento de vendas é o ponto de partida de todos os demais relatórios: sem ele, não é possível calcular a produção necessária, o consumo de insumos, as compras ou o resultado.

Receita de Vendas = Quantidade de Unidades Vendidas × Preço Unitário de Venda Faturamento Total = Σ (Receitas Mensais de todos os Produtos)

B — Premissas de elaboração

As premissas do orçamento de vendas incluem: análise de mercado (crescimento do setor, concorrência, sazonalidade), capacidade produtiva da empresa, política de preços definida pela diretoria e histórico de vendas dos exercícios anteriores. Nas empresas iniciantes (como os casos práticos da disciplina), as premissas partem de pesquisa de mercado e da capacidade instalada.

C — Caso Prático: Persoflex do Brasil (Relatório I)

A Persoflex do Brasil orça dois produtos — Mesa para Escritório e Mesa para Impressora — em dois meses representativos (janeiro e fevereiro) com projeção anual:

ProdutoPreço Unit.Janeiro (un.)Fevereiro (un.)Novembro (un.)Dezembro (un.)Total Ano
Mesa para EscritórioR$ 43,205.5004.8004.8005.80020.900
Mesa para ImpressoraR$ 23,704.9005.0004.9006.30021.100
Receita Total (R$)353.730,00325.860,00323.490,00399.870,001.402.950,00
🛠 Habilidade

A — Elaborar o Orçamento de Vendas dos casos práticos

Construir o Relatório I para Só Massas Ltda. (massa de pastel 500g, R$ 8,00/un., receita anual de R$ 330.000,00) e para Fino Sabor Ltda. (sequilhos 100g, R$ 6,00/un., receita anual de R$ 150.012,00). Calcular a quantidade mensal implícita nas receitas anuais e distribuir por sazonalidade.

B — Identificar sazonalidade nas vendas

Observar que dezembro (mês festivo) apresenta o maior volume de vendas para a Persoflex (5.800 mesas para escritório), enquanto fevereiro apresenta o menor. Aplicar o mesmo raciocínio às empresas de alimentos dos casos práticos.

🎯 Atitude

A — O preço define o tamanho do negócio

A decisão de preço não é técnica — é estratégica. Uma variação de R$ 0,50 no preço unitário, multiplicada por 20.000 unidades anuais, representa R$ 10.000 de receita adicional sem custo adicional nenhum. O administrador que entende isso toma decisões de precificação com responsabilidade e dados, não com intuição.

Metodologia · Encontro 3: Apresentar o Relatório I da apostila (Persoflex). Alunos constroem o mesmo relatório para os casos práticos da disciplina em planilha eletrônica. Validação coletiva dos resultados.
📖 Apostila — Relatório I (Previsão de Vendas)

Encontro 4 — Orçamento de Produção (Relatório II)

Objetivo Central

Elaborar o Relatório II — Orçamento de Produção — calculando as unidades a produzir em cada período a partir das vendas projetadas e das políticas de estoque de produtos acabados.

📘 Conhecimento

A — Lógica do Orçamento de Produção

A empresa precisa produzir o suficiente para atender as vendas projetadas mais a reposição do estoque final desejado, descontando o estoque inicial disponível. A fórmula é direta e se repete para cada produto e cada período:

Produção Necessária = Vendas do Período + Estoque Final Desejado de Produtos Acabados − Estoque Inicial de Produtos Acabados

B — Política de estoques

O estoque final desejado normalmente corresponde a uma semana de vendas do período seguinte (aproximadamente 25% do mês seguinte). No último período do ano, o estoque final é zero (empresa fecha o exercício sem estoque). No primeiro período, o estoque inicial é zero (empresa está iniciando ou começa o exercício sem estoque herdado).

C — Caso Prático: Persoflex do Brasil (Relatório II)

Mesa para EscritórioJaneiroFevereiroNovembroDezembroAno
Estoque Final Desejado1.2001.2001.45001.375
+ Vendas5.5004.8004.8005.80020.900
= Total Necessário6.7006.0006.2507.175 (nota: inclui est. final de nov.)22.275
− Estoque Inicial01.2001.2001.4501.375
Produção Necessária5.3254.8005.0505.72520.900
Mesa para ImpressoraJaneiroFevereiroNovembroDezembroAno
Estoque Final Desejado1.2501.2251.57501.225
+ Vendas4.9005.0004.9006.30021.100
= Total Necessário6.1506.2256.4757.52522.325
− Estoque Inicial01.2501.2251.5751.225
Produção Necessária4.9254.9755.2505.95021.100
Atenção: O estoque inicial de fevereiro é igual ao estoque final de janeiro. O estoque final de dezembro é sempre zero — a empresa fecha o exercício sem produtos acabados em estoque.
🛠 Habilidade

A — Elaborar o Orçamento de Produção dos casos práticos

Calcular a produção necessária mensal para Só Massas Ltda. e Fino Sabor Ltda., aplicando a fórmula com as vendas do Relatório I e definindo a política de estoque final equivalente a uma semana de vendas.

B — Compreender o encadeamento com o Relatório I

As quantidades de vendas do Relatório I entram diretamente no Relatório II. Qualquer alteração nas vendas projetadas muda automaticamente a produção necessária — e consequentemente o consumo de insumos, as compras, a MOD e o CIF.

🎯 Atitude

A — Estoque tem custo

Manter estoque implica capital imobilizado, risco de deterioração, custo de armazenagem e seguro. A política de "uma semana de vendas" é um equilíbrio consciente entre o risco de falta (perder vendas) e o custo de excesso. O administrador deve questionar essa política toda vez que o contexto mudar.

Metodologia · Encontro 4: Revisão do Relatório I em planilha. Construção do Relatório II a partir dos dados de vendas já elaborados. Verificação cruzada: estoque final de um período = estoque inicial do período seguinte.
📖 Apostila — Relatório II (Orçamento de Produção)

Encontro 5 — Consumo de Matéria-Prima e Compras (Relatórios III e IV)

Objetivo Central

Elaborar os Relatórios III e IV — consumo de matéria-prima e orçamento de compras — calculando as quantidades e valores de insumos necessários para suportar a produção orçada.

📘 Conhecimento

A — Relatório III: Consumo de Matéria-Prima

Para cada insumo (matéria-prima), o consumo é calculado multiplicando a produção do período pela quantidade de insumo por unidade produzida. O resultado é expresso em quantidade física (kg, litros, unidades) e em valor monetário (quantidade × custo unitário do insumo).

Consumo de MP (período) = Produção do Período × Quantidade de MP por Unidade Produzida Valor do Consumo = Consumo (quantidade) × Preço Unitário do Insumo

B — Relatório IV: Orçamento de Compras

A empresa precisa comprar o suficiente para repor o que vai consumir mais o estoque final desejado de matéria-prima, descontando o estoque inicial disponível. A lógica é idêntica ao orçamento de produção, mas aplicada aos insumos.

Compras (período) = Estoque Final Desejado de MP + Consumo do Período − Estoque Inicial de MP Valor das Compras = Compras (quantidade) × Preço Unitário do Insumo

C — Caso Prático: Só Massas Ltda.

Os 6 insumos da massa de pastel são: farinha de trigo, sal, óleo de soja, cachaça, ovo e água. Para cada um, a quantidade por unidade produzida é definida na receita industrial. O consumo mensal resulta da multiplicação dessas quantidades pela produção do Relatório II.

🛠 Habilidade

A — Calcular consumo e compras para os casos práticos

Utilizando a produção do Relatório II, calcular o consumo mensal de cada insumo (quantidade e valor) e o volume de compras necessário para manter o estoque de segurança definido.

B — Verificar consistência entre relatórios

O consumo total anual de cada insumo deve ser compatível com a receita industrial do produto. Um erro na receita (quantidade de insumo por unidade) se propaga automaticamente para compras, CUPA e CPV.

🎯 Atitude

A — Comprar bem é tão importante quanto vender bem

Uma compra mal dimensionada gera excesso de estoque (capital imobilizado) ou falta de material (parada de produção e perda de vendas). O orçamento de compras é o instrumento que profissionaliza essa decisão.

Metodologia · Encontro 5: Construção dos Relatórios III e IV em planilha, encadeados com o Relatório II já elaborado. Verificação: o custo total dos insumos começa a compor o CUPA do Relatório VII.
📖 Apostila — Relatórios III e IV

Encontro 6 — Orçamento de MOD (Relatório V)

Objetivo Central

Elaborar o Relatório V — Orçamento de Mão de Obra Direta — calculando o custo da mão de obra alocada diretamente à produção, por departamento e por período.

📘 Conhecimento

A — Definição de MOD

Mão de Obra Direta (MOD) é o custo dos trabalhadores que atuam diretamente no processo produtivo e cujo tempo pode ser medido e alocado a cada unidade produzida. Inclui salários, encargos sociais (FGTS, INSS, férias, 13º) e outros benefícios diretos.

Custo de MOD = Produção do Período × Horas por Unidade × Taxa Horária Taxa Horária = (Salário Mensal + Encargos) / Horas Trabalhadas no Mês

B — MOD por departamento

Nas empresas com mais de um departamento produtivo (como Fino Sabor Ltda., com Fabricação, Formatação e Embalagem), o custo de MOD é calculado separadamente para cada departamento, pois cada um tem sua própria taxa horária e quantidade de horas por unidade produzida.

C — Encargos trabalhistas no Brasil

A taxa de encargos sobre a folha de pagamento brasileira inclui: INSS patronal (20%), FGTS (8%), Sistema S (3,1%), férias proporcionais (11,11%), 13º salário proporcional (8,33%), aviso prévio (3,33%) e outros. O total de encargos pode superar 70% do salário base, dependendo do regime tributário.

🛠 Habilidade

A — Calcular o custo de MOD por unidade produzida

A partir do salário mensal, calcular a taxa horária com encargos. Multiplicar pelo tempo de mão de obra direta por unidade em cada departamento. O resultado é o custo de MOD por unidade — componente essencial do CUPA.

B — Distinguir MOD de mão de obra indireta

Mão de obra indireta (supervisores, controle de qualidade, manutenção) não é alocada por unidade produzida — vai para o CIF. Saber classificar corretamente cada função é essencial para calcular o custo unitário com precisão.

🎯 Atitude

A — O custo da mão de obra é maior do que parece

Muitos gestores subestimam o custo real da mão de obra por desconhecer os encargos. Um colaborador que recebe R$ 2.000 de salário custa à empresa aproximadamente R$ 3.400 a R$ 3.600 ao mês, dependendo do regime. Quem ignora isso precifica errado e perde dinheiro.

Metodologia · Encontro 6: Apresentação do Relatório V da apostila. Cálculo de encargos trabalhistas com planilha auxiliar. Construção do orçamento de MOD dos casos práticos por departamento.
📖 Apostila — Relatório V (MOD)

Encontro 7 — Orçamento de CIF (Relatório VI)

Objetivo Central

Elaborar o Relatório VI — Orçamento de Custos Indiretos de Fabricação — identificando, classificando e projetando todos os custos que não se alocam diretamente ao produto mas são necessários ao processo produtivo.

📘 Conhecimento

A — Definição e exemplos de CIF

Custos Indiretos de Fabricação (CIF) são todos os custos de produção que não são matéria-prima direta nem mão de obra direta. Exemplos: energia elétrica da fábrica, depreciação de máquinas e equipamentos, manutenção, salário do supervisor de produção, material de limpeza da linha de produção, seguro das instalações fabris.

B — CIF fixos vs. variáveis

CIF fixos: não mudam com o volume de produção (depreciação, salário do supervisor, aluguel da fábrica). CIF variáveis: aumentam proporcionalmente com a produção (energia elétrica variável, material de embalagem, manutenção variável). A separação é fundamental para o cálculo do ponto de equilíbrio e da margem de contribuição.

C — Rateio do CIF

O CIF total é rateado entre os produtos fabricados com base em algum critério: horas de MOD, horas-máquina, custo de MOD ou custo de MP. O critério deve refletir a relação causal entre o CIF e o produto. O valor rateado por unidade compõe o CUPA.

Taxa de Rateio do CIF = CIF Total do Período / Base de Rateio Total do Período CIF por Unidade = Taxa de Rateio × Base de Rateio por Unidade Produzida
🛠 Habilidade

A — Classificar custos em MOD, MP e CIF

Dado um conjunto de itens de custo (salário do operador, energia elétrica, farinha de trigo, salário do supervisor, depreciação do forno, embalagem, INSS patronal), classificar cada um corretamente como MP, MOD ou CIF.

B — Calcular e ratear o CIF dos casos práticos

Identificar os CIF da Só Massas Ltda. e da Fino Sabor Ltda., separá-los em fixos e variáveis, calcular o total por período e ratear por produto utilizando as horas de MOD como base.

🎯 Atitude

A — CIF mal calculado distorce o preço de venda

Subestimar o CIF é um erro grave e comum em pequenas empresas. O resultado é um preço de venda que não cobre todos os custos — a empresa "vende e perde dinheiro" sem perceber. Calcular o CIF com rigor é um ato de responsabilidade financeira.

Metodologia · Encontro 7: Apresentação dos componentes de CIF para cada caso prático. Cálculo de depreciação (método linear). Rateio do CIF por produto. Revisão dos Relatórios I a VI antes de avançar ao Bloco III.
📖 Apostila — Relatório VI (CIF)

Bloco III — Custo Unitário e Resultado

Encontros 8 e 9 · CUPA, margem de contribuição, despesas operacionais e CPV

Encontro 8 — CUPA e Margem de Contribuição (Relatório VII)

Objetivo Central

Elaborar o Relatório VII — Custo Unitário do Produto Acabado (CUPA) — consolidando todos os elementos de custo de produção (MP, MOD e CIF) em um custo unitário por produto, e calcular a margem de contribuição unitária e a margem de lucro projetada.

📘 Conhecimento

A — Estrutura do CUPA

O CUPA (Custo Unitário do Produto Acabado) reúne os três elementos do custo industrial por unidade produzida. É o custo de fabricação de uma unidade do produto — não inclui ainda as despesas operacionais (administrativas e comerciais).

CUPA = Custo Unitário de MP + Custo Unitário de MOD (todos os departamentos) + Custo Unitário de CIF (rateado) Margem de Contribuição Unitária = Preço de Venda − CUPA Margem de Contribuição (%) = (Margem Unit. / Preço de Venda) × 100

B — Caso Prático: Só Massas Ltda.

Com preço de venda de R$ 8,00 e custo total de R$ 3,77, a margem de contribuição unitária é de R$ 4,23, representando 52,9% do preço de venda. Isso significa que para cada R$ 8,00 vendidos, R$ 4,23 contribuem para cobrir as despesas operacionais e gerar lucro.

C — Caso Prático: Fino Sabor Ltda.

Com preço de venda de R$ 6,00 e custo total de R$ 0,44, a margem de contribuição unitária é de R$ 5,56, representando 92,7% do preço de venda. Estrutura de custo extremamente enxuta devido aos apenas 3 insumos e processo simples.

Componente do CUPASó Massas Ltda.Fino Sabor Ltda.
Custo unitário de MPR$ 2,18R$ 0,22
Custo unitário de MODR$ 0,84R$ 0,13
Custo unitário de CIFR$ 0,75R$ 0,09
CUPA TotalR$ 3,77R$ 0,44
Preço de VendaR$ 8,00R$ 6,00
Margem de ContribuiçãoR$ 4,23 (52,9%)R$ 5,56 (92,7%)
🛠 Habilidade

A — Calcular o CUPA dos casos práticos

Consolidar os valores unitários de MP (Relatório III), MOD (Relatório V) e CIF (Relatório VI) em um único custo unitário por produto. Verificar que o CUPA é consistente com os dados da apostila.

B — Calcular o Ponto de Equilíbrio

Com a margem de contribuição unitária calculada, é possível estimar quantas unidades precisam ser vendidas para cobrir as despesas operacionais fixas.

Ponto de Equilíbrio (un.) = Despesas Fixas Totais / Margem de Contribuição Unitária
🎯 Atitude

A — Margem alta não é lucro garantido

Fino Sabor Ltda. tem margem de contribuição de 92,7% — mas isso não significa que o lucro é 92,7% da receita. As despesas operacionais (administrativas, comerciais, financeiras) ainda precisam ser cobertas. Confundir margem de contribuição com lucro líquido é um erro que leva gestores a tomar decisões equivocadas de expansão.

Metodologia · Encontro 8: Consolidação dos Relatórios I a VI na planilha. Cálculo do CUPA para cada caso prático. Comparação das estruturas de custo das duas empresas — discussão sobre por que margens tão diferentes não significam necessariamente desempenhos tão diferentes.
📖 Apostila — Relatório VII (CUPA)

Encontro 9 — Despesas Operacionais e CPV (Relatórios VIII e IX)

Objetivo Central

Elaborar os Relatórios VIII e IX — Despesas Operacionais e Custo do Produto Vendido — completando a estrutura de custos e despesas necessária para a elaboração da DRE projetada.

📘 Conhecimento

A — Despesas Operacionais (Relatório VIII)

As despesas operacionais são os gastos necessários para administrar e vender os produtos, mas que não se relacionam diretamente com o processo de fabricação. Dividem-se em: Despesas Administrativas (salários da diretoria e do pessoal administrativo, aluguel do escritório, material de escritório, honorários contábeis, seguros administrativos) e Despesas Comerciais (comissões de vendedores, propaganda e publicidade, frete sobre vendas, embalagem de entrega).

Despesas Operacionais Totais = Despesas Administrativas + Despesas Comerciais Lucro Operacional = Margem de Contribuição Total − Despesas Operacionais Fixas

B — CPV — Custo do Produto Vendido (Relatório IX)

O CPV representa o custo total dos produtos efetivamente vendidos no período. É calculado a partir do estoque inicial de produtos acabados, somando o custo de produção do período e subtraindo o estoque final de produtos acabados.

CPV = Estoque Inicial de Produtos Acabados (valor) + Custo Total de Produção do Período (CUPA × Produção) − Estoque Final de Produtos Acabados (valor) Custo Total de Produção = CUPA × Quantidade Produzida no Período

C — Diferença entre CPV e CUPA

O CUPA é o custo unitário de fabricar uma unidade. O CPV é o custo total das unidades que foram vendidas — não produzidas. Se a empresa produziu 1.000 unidades mas vendeu apenas 800, o CPV considera apenas as 800 vendidas. As 200 restantes ficam no estoque (ativo).

🛠 Habilidade

A — Calcular o CPV dos casos práticos

Utilizando o CUPA do Relatório VII e as quantidades produzidas e vendidas dos Relatórios I e II, calcular o CPV mensal e anual para Só Massas Ltda. e Fino Sabor Ltda.

B — Elaborar as despesas operacionais dos casos práticos

Levantar e classificar as despesas administrativas e comerciais de cada empresa, separando fixas de variáveis, mensais de anuais.

🎯 Atitude

A — Despesas operacionais são a armadilha do crescimento

Muitas empresas crescem em faturamento e veem o lucro cair — porque as despesas operacionais cresceram mais rápido que a receita. Controlar despesas operacionais é tão importante quanto aumentar vendas. O orçamento é o instrumento que torna esse controle possível e sistemático.

Metodologia · Encontro 9: Elaboração dos Relatórios VIII e IX em planilha. Verificação: CPV + Resultado Bruto = Receita de Vendas. Preparação para o Bloco IV (demonstrações projetadas).
📖 Apostila — Relatórios VIII e IX

Bloco IV — Demonstrações Projetadas

Encontros 10 a 13 · Fluxo de caixa, DRE projetada e Balanço Patrimonial projetado

Encontros 10 e 11 — Fluxo de Caixa Projetado (Relatório X)

Objetivo Central

Elaborar o Relatório X — Fluxo de Caixa Projetado — projetando todas as entradas e saídas de caixa por período, identificando necessidades de financiamento e excedentes de caixa antes que ocorram.

📘 Conhecimento

A — Estrutura do Fluxo de Caixa

O fluxo de caixa projetado organiza todas as movimentações financeiras em três grandes grupos: Atividades Operacionais (recebimentos de vendas, pagamentos a fornecedores, salários, impostos, despesas operacionais); Atividades de Investimento (compra ou venda de ativos fixos — máquinas, equipamentos, imóveis); Atividades de Financiamento (captação ou amortização de empréstimos, integralização de capital, distribuição de lucros).

Saldo Final de Caixa = Saldo Inicial + Entradas Operacionais − Saídas Operacionais ± Atividades de Investimento ± Atividades de Financiamento

B — Diferença entre lucro e caixa

Uma empresa pode ter lucro contábil e estar sem dinheiro no caixa — e vice-versa. Isso acontece porque o lucro é calculado pelo regime de competência (receita é reconhecida quando vendida, não quando recebida), enquanto o caixa registra apenas o dinheiro efetivamente movimentado. Vendas a prazo aumentam o lucro mas não o caixa imediatamente. Compras à vista reduzem o caixa mas o custo só impacta o resultado quando o produto é vendido.

C — Prazo de recebimento e pagamento

As premissas de prazo são fundamentais para o fluxo de caixa. Se as vendas são feitas com prazo médio de 30 dias, a receita de janeiro entra no caixa em fevereiro. Se as compras são pagas em 15 dias, as compras de janeiro saem do caixa na primeira quinzena de fevereiro. Essas defasagens criam a necessidade de capital de giro.

ItemJanFevMarAbrTotal
Saldo InicialR$ 5.000R$ 8.200R$ 11.500R$ 9.800
(+) Recebimentos de VendasR$ 27.500R$ 27.500R$ 27.500R$ 27.500R$ 110.000
(−) Pagamento de FornecedoresR$ 8.400R$ 8.200R$ 9.100R$ 8.800R$ 34.500
(−) Salários e EncargosR$ 9.200R$ 9.200R$ 9.200R$ 9.200R$ 36.800
(−) Despesas OperacionaisR$ 6.700R$ 6.800R$ 9.900R$ 6.700R$ 30.100
(−) ImpostosR$ 1.000R$ 1.000
Saldo FinalR$ 8.200R$ 11.500R$ 9.800R$ 12.600R$ 12.600
🛠 Habilidade

A — Elaborar o Fluxo de Caixa dos casos práticos

A partir dos Relatórios I a IX, projetar o fluxo de caixa mensal de Só Massas Ltda. e Fino Sabor Ltda., aplicando as premissas de prazo de recebimento (à vista ou 30 dias) e pagamento (à vista ou 15 dias).

B — Identificar necessidades de financiamento

Quando o saldo projetado de caixa for negativo em algum mês, identificar o valor da necessidade de financiamento e propor alternativas: capital de giro bancário, antecipação de recebíveis, redução de estoques ou negociação de prazos com fornecedores.

🎯 Atitude

A — Caixa é a saúde financeira real da empresa

Empresa sem caixa fecha — independente do lucro contábil. O fluxo de caixa projetado é o instrumento que evita surpresas financeiras. Gestores que dominam o fluxo de caixa dormem melhor: sabem exatamente quando precisarão de dinheiro e podem providenciar com antecedência.

Metodologia · Encontros 10 e 11: Dois encontros dedicados ao fluxo de caixa. No primeiro, construção da estrutura e lançamento das operações. No segundo, análise dos resultados, identificação de déficits e simulação de cenários (e se as vendas caírem 20%? e se o prazo de recebimento aumentar para 60 dias?).
📖 Apostila — Relatório X (Fluxo de Caixa)

Encontro 12 — DRE Projetada (Relatório XI)

Objetivo Central

Elaborar o Relatório XI — Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) projetada — consolidando todas as receitas, custos e despesas orçadas em uma demonstração de resultado completa e analisando a estrutura de rentabilidade da empresa.

📘 Conhecimento

A — Estrutura da DRE

A DRE projetada apresenta o resultado esperado do exercício em etapas progressivas, partindo da receita bruta até chegar ao lucro líquido:

Item da DRESó Massas (anual)Fino Sabor (anual)
(+) Receita Bruta de VendasR$ 330.000,00R$ 150.012,00
(−) Deduções (impostos s/ venda)(R$ 26.400,00)(R$ 12.001,00)
(=) Receita Líquida de VendasR$ 303.600,00R$ 138.011,00
(−) CPV(R$ 152.685,00)(R$ 10.956,00)
(=) Lucro BrutoR$ 150.915,00R$ 127.055,00
(−) Despesas Operacionais(R$ 59.820,00)(R$ 86.627,00)
(=) Lucro Operacional (EBIT)R$ 91.095,00R$ 40.428,00
(−) Despesas Financeiras(−)(−)
(=) Lucro Antes do IRR$ 91.095,00R$ 40.428,00
(−) IR e CSLL (Simples)(R$ 0,00)(R$ 0,00)
(=) Lucro LíquidoR$ 91.095,00R$ 40.428,00
Margem Líquida30,0%29,3%
Atenção: Ambas as empresas atingem a meta universal de 30% de lucro líquido sobre a receita líquida — confirmando que o sistema orçamentário foi construído de forma consistente e alinhada aos objetivos estratégicos definidos no Bloco I.

B — Deduções da Receita Bruta

As deduções da receita bruta incluem: impostos sobre vendas (ICMS, PIS, COFINS, ISS), devoluções de mercadorias e abatimentos concedidos. Empresas optantes pelo Simples Nacional têm alíquotas unificadas que variam conforme a faixa de faturamento.

🛠 Habilidade

A — Montar a DRE completa dos casos práticos

Consolidar os Relatórios I a IX em uma DRE estruturada, verificando que cada linha corresponde a um relatório já elaborado. A DRE não é um novo cálculo — é a consolidação de tudo que já foi feito.

B — Analisar a rentabilidade

Calcular e interpretar: Margem Bruta = Lucro Bruto / Receita Líquida. Margem Operacional = EBIT / Receita Líquida. Margem Líquida = Lucro Líquido / Receita Líquida. Comparar as duas empresas e discutir por que estruturas de custo tão diferentes podem gerar margens líquidas semelhantes.

🎯 Atitude

A — A DRE é o espelho do planejamento

Se a DRE projetada não mostra o lucro desejado, é hora de revisar premissas — não de aceitar o resultado ruim. O orçamento é um instrumento de antecipação: se o resultado projetado é insatisfatório, o gestor ainda tem tempo de mudar preço, reduzir custo ou aumentar volume antes que o período comece.

Metodologia · Encontro 12: Construção da DRE projetada em planilha, encadeando todos os relatórios anteriores. Análise comparativa entre as duas empresas. Discussão: por que a Fino Sabor tem CPV muito menor mas despesas operacionais desproporcionalmente maiores?
📖 Apostila — Relatório XI (DRE Projetada)

Encontro 13 — Balanço Patrimonial Projetado (Relatório XII)

Objetivo Central

Elaborar o Relatório XII — Balanço Patrimonial Projetado — consolidando a posição patrimonial esperada ao final do exercício, verificando a consistência de todo o sistema orçamentário através da equação fundamental da contabilidade.

📘 Conhecimento

A — Estrutura do Balanço Patrimonial Projetado

O balanço patrimonial projetado apresenta a posição esperada dos ativos, passivos e patrimônio líquido ao final do período orçamentário. Cada linha do balanço é alimentada por um relatório já elaborado:

ATIVOValorPASSIVO + PLValor
Ativo CirculantePassivo Circulante
Caixa e BancosRelatório XFornecedoresRelatório IV
Contas a ReceberRelatório ISalários a PagarRelatórios V e VIII
Estoques de MPRelatório IVImpostos a RecolherDRE
Estoques de PARelatório IIPatrimônio Líquido
Ativo Não CirculanteCapital SocialDefinido
Imobilizado LíquidoRelatório VILucros AcumuladosRelatório XI
TOTAL ATIVO= TOTAL PASSIVO + PL

B — A equação fundamental como verificação

Se Ativo ≠ Passivo + Patrimônio Líquido, há erro em algum dos relatórios anteriores. O balanço que não fecha é o "alarme" do sistema orçamentário — indica que alguma premissa foi calculada de forma inconsistente. Por isso o balanço projetado é elaborado por último.

Ativo Total = Passivo Total + Patrimônio Líquido PL Final = PL Inicial + Lucro Líquido do Exercício − Distribuição de Dividendos
🛠 Habilidade

A — Montar o Balanço Patrimonial Projetado

Preencher cada linha do balanço com os valores provenientes dos relatórios correspondentes. Verificar que Ativo = Passivo + PL. Se não fechar, rastrear o erro nos relatórios anteriores.

B — Identificar a origem de cada linha do balanço

Saber exatamente de qual relatório vem cada item do balanço: caixa vem do Relatório X, estoques vêm dos Relatórios II e IV, contas a receber vem do Relatório I (vendas a prazo), fornecedores vem do Relatório IV (compras a prazo), lucros acumulados vem do Relatório XI.

🎯 Atitude

A — O balanço que fecha é a prova do sistema

Quando o balanço projetado fecha com precisão, o aluno tem a prova concreta de que domina o sistema orçamentário completo — da venda ao patrimônio. É o momento de maior satisfação intelectual da disciplina e o principal argumento profissional para mostrar a um empregador.

Metodologia · Encontro 13: Construção do Balanço Patrimonial Projetado em planilha. Verificação da equação fundamental. Discussão sobre o que o balanço revela sobre a saúde patrimonial das empresas dos casos práticos.
📖 Apostila — Relatório XII (Balanço Patrimonial Projetado)

Bloco V — Controle e Avaliação de Desempenho

Encontros 14 e 15 · Índices econômico-financeiros projetados, análise integrada e apresentação final

Encontro 14 — Índices Econômico-Financeiros (Relatório XIII)

Objetivo Central

Elaborar o Relatório XIII — Índices Econômico-Financeiros Projetados — calculando e interpretando os principais indicadores de rentabilidade, liquidez, endividamento e atividade a partir da DRE e do Balanço Patrimonial projetados.

📘 Conhecimento

A — Índices de Rentabilidade

ROE (Retorno sobre PL) = Lucro Líquido / Patrimônio Líquido × 100 ROA (Retorno sobre Ativo) = Lucro Líquido / Ativo Total × 100 Margem Líquida = Lucro Líquido / Receita Líquida × 100 Margem Bruta = Lucro Bruto / Receita Líquida × 100

B — Índices de Liquidez

Liquidez Corrente = Ativo Circulante / Passivo Circulante Liquidez Seca = (Ativo Circulante − Estoques) / Passivo Circulante Liquidez Imediata = Caixa e Equivalentes / Passivo Circulante

C — Índices de Endividamento e Atividade

Endividamento Geral = Passivo Total / Ativo Total × 100 Giro do Ativo = Receita Líquida / Ativo Total PMR (Prazo Médio de Recebimento) = (Contas a Receber / Receita Bruta) × 360 PMP (Prazo Médio de Pagamento) = (Fornecedores / Compras) × 360 PME (Prazo Médio de Estoque) = (Estoques / CPV) × 360

D — Interpretação integrada dos índices

Os índices isolados têm pouco valor. O que importa é a análise integrada: um ROE alto com liquidez corrente baixa pode indicar crescimento acelerado financiado por dívida — risco alto. Um ROE baixo com liquidez corrente alta pode indicar empresa conservadora que deixa capital ocioso. O analista precisa contar a história que os números revelam.

ÍndiceSó Massas Ltda.Fino Sabor Ltda.Referência
Margem Líquida30,0%29,3%> 10%
ROE45,2%38,7%> 15%
ROA28,4%22,1%> 10%
Liquidez Corrente2,83,1> 1,5
Liquidez Seca2,12,9> 1,0
Endividamento37,1%42,8%< 50%
Giro do Ativo0,950,75> 0,80
🛠 Habilidade

A — Calcular os índices dos casos práticos

A partir da DRE (Relatório XI) e do Balanço (Relatório XII), calcular todos os índices do Relatório XIII para os dois casos práticos. Organizar em uma tabela comparativa.

B — Interpretar e comparar os indicadores

Redigir um parágrafo de análise para cada grupo de índices, explicando o que revelam sobre a situação econômico-financeira de cada empresa e comparando as duas estruturas.

🎯 Atitude

A — Índice bom é o que você entende, não o que você calcula

Muitos profissionais calculam índices mecanicamente mas não sabem o que significam na prática. Um ROE de 45% é excelente ou preocupante? Depende do setor, do porte da empresa, do nível de endividamento e do contexto macroeconômico. O valor do analista está na interpretação, não no cálculo — este qualquer planilha faz.

Metodologia · Encontro 14: Cálculo dos índices em planilha a partir da DRE e do Balanço já elaborados. Análise comparativa entre os dois casos. Cada grupo apresenta 3 minutos de análise verbal dos resultados do seu caso prático.
📖 Apostila — Relatório XIII (Índices Econômico-Financeiros)

Encontro 15 — Análise Integrada e Apresentação Final

Objetivo Central

Consolidar o aprendizado da disciplina através da apresentação do sistema orçamentário completo de cada caso prático, demonstrando domínio do encadeamento lógico dos 13 relatórios e capacidade de análise e interpretação dos resultados projetados.

📘 Conhecimento

A — O sistema como um todo

Revisão do encadeamento completo: cada relatório alimenta o seguinte. Uma alteração em qualquer premissa (preço de venda, quantidade vendida, custo de um insumo) propaga-se por todos os relatórios subsequentes. A planilha eletrônica torna essa propagação automática — por isso o domínio das fórmulas é fundamental.

B — Análise de sensibilidade

O que acontece com o lucro líquido se o preço da farinha aumentar 10%? E se as vendas caírem 15%? E se o prazo de recebimento aumentar de 30 para 60 dias? A análise de sensibilidade transforma o orçamento de um documento estático em um instrumento de simulação de cenários.

🛠 Habilidade

A — Apresentar o sistema orçamentário completo

Cada grupo apresenta os 13 relatórios do seu caso prático, explicando a lógica de cada cálculo, as premissas adotadas e os resultados obtidos. A apresentação deve demonstrar que o aluno compreende por que cada número é o que é — não apenas que copiou a fórmula.

B — Responder perguntas de análise

O professor (ou outros grupos) farão perguntas de análise: "Por que o CPV é menor que o custo de produção?", "O que aconteceria com o fluxo de caixa se as vendas de dezembro fossem pagas em janeiro?", "Como a margem de Fino Sabor pode ser 92,7% se o lucro líquido é 29,3%?"

🎯 Atitude

A — O orçamento é uma decisão, não um relatório

O encerramento da disciplina reforça a mensagem do primeiro encontro: o sistema orçamentário é um instrumento de gestão. Os relatórios são os mapas. Mas o gestor é quem decide o destino — e quem responde pelos resultados. Dominar o orçamento empresarial é dominar a linguagem do planejamento profissional.

Metodologia · Encontro 15: Apresentações dos grupos (20 min cada). Avaliação pelo professor e pelos pares. Encerramento com reflexão sobre a meta universal de 30% de lucro líquido e o que cada empresa precisaria ajustar para atingi-la ou superá-la.
📖 Apostila — Revisão Integrada dos 13 Relatórios

Cronograma da Disciplina

15 encontros de 4 horas-aula cada · Total: 60 horas-aula · Semestre letivo 2026

EncontroBlocoConteúdoRelatórioTipo
E1IIntrodução ao Orçamento Empresarial — conceito, premissas, fases, condições de implantaçãoTeoria
E2IOBZ e Tipos de Orçamento — metodologias, pacotes de decisão, caso BrahmaTeoria
E3IIOrçamento de Vendas — quantidades, preços, receita bruta projetadaIPrática
E4IIOrçamento de Produção — política de estoques, unidades a produzirIIPrática
E5IIConsumo de MP e Orçamento de Compras — quantidades e valores por insumoIII e IVPrática
E6IIOrçamento de MOD — horas, taxa horária, encargos trabalhistasVPrática
E7IIOrçamento de CIF — fixos, variáveis, depreciação, rateioVIPrática
E8IIICUPA e Margem de Contribuição — custo unitário completo, ponto de equilíbrioVIIPrática
E9IIIDespesas Operacionais e CPV — administrativas, comerciais, custo do produto vendidoVIII e IXPrática
E10IVFluxo de Caixa Projetado — estrutura, prazos de recebimento e pagamentoXPrática
E11IVFluxo de Caixa — análise de déficits, simulação de cenáriosXAnálise
E12IVDRE Projetada — consolidação, margens, análise de rentabilidadeXIPrática
E13IVBalanço Patrimonial Projetado — posição patrimonial, equação fundamentalXIIPrática
E14VÍndices Econômico-Financeiros — rentabilidade, liquidez, endividamento, atividadeXIIIAnálise
E15VApresentação Final — sistema orçamentário completo, análise integrada, defesaI–XIIIAvaliação
Observação: Cada encontro corresponde a 4 horas-aula (duas aulas de 50 minutos com intervalo). Os encontros práticos (E3 a E14) são realizados em laboratório de informática com planilha eletrônica.

Sistema de Avaliação

Avaliação contínua e somativa · Nota mínima para aprovação: 7,0

40%

Planilha Orçamentária

Sistema orçamentário completo (13 relatórios) do caso prático atribuído ao grupo. Entregue ao final do E13.

30%

Apresentação Final

Apresentação e defesa do sistema orçamentário completo no E15. Avaliação individual da capacidade de análise e interpretação.

20%

Relatórios Parciais

Entrega dos relatórios I a VI ao final do Bloco II (E7). Verificação do encadeamento e consistência dos dados.

10%

Participação

Frequência, pontualidade, contribuição nas discussões e qualidade das perguntas e respostas em aula.

Critérios de Avaliação da Planilha

CritérioPesoDescrição
Completude25%Todos os 13 relatórios preenchidos e encadeados
Consistência30%Balanço fecha, DRE bate com fluxo de caixa, estoque final = inicial do período seguinte
Fórmulas25%Uso correto de fórmulas (sem valores digitados manualmente onde deveria haver fórmula)
Apresentação10%Clareza, formatação, identificação de empresa, produto e período
Análise10%Comentário escrito de uma página com interpretação dos índices do Relatório XIII
Grupos: Os grupos são formados no E1 e permanecem inalterados até o E15. Cada grupo recebe um caso prático: Só Massas Ltda. ou Fino Sabor Ltda. A troca de caso sem autorização do professor implica desconto de 2 pontos na nota da planilha.

Metodologia de Ensino

Estratégias pedagógicas integradas para o desenvolvimento das competências CHA

📖 Aula Expositiva Dialogada

Nos encontros do Bloco I (E1 e E2), o conteúdo conceitual é apresentado com base na apostila e em casos reais (Brahma/AmBev), com perguntas provocadoras que antecipam o debate antes de revelar as respostas.

💻 Laboratório de Planilhas

Dos encontros E3 a E14, as aulas são realizadas em laboratório de informática. Cada grupo constrói seu sistema orçamentário em planilha eletrônica, com o professor circulando e orientando individualmente.

🔗 Encadeamento Progressivo

Cada encontro começa revisando o relatório anterior e verificando sua consistência antes de avançar. O aluno entende que não pode pular etapas — cada relatório é pré-requisito do seguinte.

🏢 Casos Empresariais Reais

Os dois casos práticos (Só Massas Ltda. e Fino Sabor Ltda.) são baseados em empresas reais do setor alimentício. Os dados de custo, preço e volume refletem a realidade do mercado regional.

📊 Análise de Sensibilidade

No E11 e no E15, os alunos simulam cenários alternativos (queda de vendas, aumento de custo, mudança de prazo) para compreender a robustez do plano orçamentário diante de incertezas.

🎤 Apresentação e Defesa

A avaliação final (E15) exige que os alunos apresentem e defendam verbalmente seu sistema orçamentário. O foco é na interpretação e na argumentação — não apenas nos números.

Integração entre Materiais

A disciplina utiliza três materiais integrados e complementares:

MaterialFunçãoQuando usar
Apostila do ProfessorFundamentação teórica e conceitual dos 13 relatóriosEstudo prévio + consulta durante as aulas
Planilha EletrônicaFerramenta de cálculo e elaboração dos relatóriosTodos os encontros práticos (E3 a E14)
Este Site (OE)Roteiros CHA detalhados, metodologia e referênciasPlanejamento do estudo + revisão de conceitos

Referências Bibliográficas

Bibliografia básica e complementar da disciplina

Bibliografia Básica

FREZATTI, Fábio. Orçamento Empresarial: Planejamento e Controle Gerencial. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2005.
SANTOS, Joel José dos; et al. Análise de Custos: Remodelado com Ênfase para Custo Marginal, Relatórios e Estudos de Casos. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2011.
WELSCH, Glenn A. Orçamento Empresarial. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1983.
GARRISON, Ray H.; NOREEN, Eric W. Contabilidade Gerencial. 9. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2001.
SANVICENTE, Antonio Zoratto; SANTOS, Celso da Costa. Orçamento na Administração de Empresas. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2000.

Bibliografia Complementar

ZDANOWICZ, José Eduardo. Fluxo de Caixa: Uma Decisão de Planejamento e Controle Financeiro. 8. ed. Porto Alegre: Sagra Luzzatto, 1998.
PYHRR, Peter A. Orçamento Base Zero: Um Instrumento Administrativo Prático para Avaliação das Despesas. Rio de Janeiro: Interciência, 1981.
CALDERELLI, Antonio. Enciclopédia Contábil e Comercial Brasileira. 21. ed. São Paulo: CETEC, 1992.
NGUYEN, Huu Duc. Introduction à la Gestion Financière. Paris: Économica, 1975.
AMBEV. Relatório de Gestão: Projeto OBZ — Volta às Origens. São Paulo: Ambev, 1998. (Documento interno)
HORNGREN, Charles T.; DATAR, Srikant M.; FOSTER, George. Contabilidade de Custos. 11. ed. São Paulo: Prentice Hall, 2004.
PADOVEZE, Clóvis Luís. Contabilidade Gerencial: Um Enfoque em Sistema de Informação Contábil. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
GITMAN, Lawrence J. Princípios de Administração Financeira. 12. ed. São Paulo: Pearson, 2010.
Norma: As referências seguem a NBR 6023:2018 da ABNT. Citações no texto seguem o sistema autor-data (NBR 10520:2023). Os materiais da disciplina (apostila e planilha) são distribuídos exclusivamente pelo professor em formato digital no início do semestre.